A Personificação da Entropia

Home / Meu Cerebro Na Rede / A Personificação da Entropia
Quando muitos setores começam a desandar, convém parar e avaliar: Peraí, mas que porra é essa? Sou a personificação da entropia, o tipo preguiçoso de gente que retira um objeto de seu sítio habitual e o larga em outro completamente diferente. Organização pode ser simples para os metódicos; para mim é complicadíssima. Meu quarto não tem bichinho, foto, medalha… É basicamente guarda-roupa, cama, mesa e papel. Ainda assim, é uma bagunça só. Gente bagunçada não deve acumular muitos pertences, aliás, ninguém deve. De tempos em tempos, é preciso gastar um pouco de energia e arrumar o recinto: quanto mais cacareco, pior! Ô negócio pra me enrolar é o absurdo de papel que entope a vida universitária. Essa grana pingada de centavos em centavos de xerox só me deixa mais pobre e mais confusa. Não consigo me livrar dos malditos papéis. Outro dia, entrei em pânico: não sabia como arrumar tanto do papel, como associá-los, onde enfiá-los Engraçadinhos não respondam! Apeguei-me à droga dos papéis. Se tivesse aprendido o conteúdo das tantas folhas, queimava tudo, mas sabe como é, posso precisar e… Droga de papéis! Livro a gente guarda, arruma, mas papel solto… Então ficou resolvido que encadernarei a papelada. Reunindo folhas em livros, espero eliminar meus fantasmas de celulose! Há certos defeitos que a gente cultiva, considera engraçadinho, característico. No fundo, sempre achei graciosa minha falta de método, meu descanso. Com o rumo que dei para vida, não dá mais para se divertir com desleixo. Ou me organizo ou me ferro. Eis que a aleatória convicta rende-se ao método. Nunca imaginei admitir isso, mas tudo que quero é cair na rotina. Sabe fazer tal coisa tal dia, tal hora? Sexta-feira à noite – acompanhando o plantão no Frotinha do Antônio Bezerra – flagrei-me amarrada ao que fazia. Não queria as várias outras possíveis lúdicas programações, nem outro lugar, outra atividade. Estava compenetrada, interessada, comprometida… Gostando! Eu, médica!? Foi um choque, um medo, um peso, um alívio, uma reviravolta na cabeça! Ainda sou muito atrapalhada e insegura com tudo o que se refere à minha futura profissão. Essa insegurança me faz um protótipo de médica meio travada, meio paralisada de medo de errar, mais sisuda e robótica do que realmente sou. Acho que é como quando se gosta de alguém. Você fica meio pateta, não sabe como fazer para chegar perto, para ganhar intimidade. Há um método pra se tornar um bom médico, uma constância, uma postura. Quero conquistar essa intimidade, nem que tenha de me organizar para tal.
Related Posts
Showing 6 comments
  • Anônimo

    No auge dos meus preconceitos e esterótipos da era pré-contemporânea, nunca pensei que me despertassem interesse as colunas de blogs de gente do sexo oposto. Mas dessa vez, foi deveras voluptuoso quebrar a cara.

    “A gente é o que a gente escreve”, já dizia um. O melhor que faço então é continuar a ler “seu cérebro na rede” para aprender de ti algo mais.

    se sou anonymous, como posso me identificar? crise existencial. A prudência me alerta a calar-me. outro dia talvez. 😛 – essas carinhas não são o meu forte.

  • Anônimo

    Deu pantao com a mamae neh 🙂

    Emília Martins

  • JP

    Lia, ler seu blog me faz ter a certeza, mesmo sem te conhecer, de que serás uma excelente médica, organizada ou não (claro que a primeira opção é melhor). Vc tem uma visão diferente das coisas, a visão do coração.
    Sou questionador do método, mas reconheço que sou assim pq não consigo me organizar. Um dia consigo…

  • Anônimo

    Lia,
    Coincidentemente, fim-de-semana passado, me comprometi em arrumar meu quarto. Joguei fora nada mais nada menos do que 40Kg de papel (sei desse número, pois dei os tais papéis pro filho da nossa secretária, que vendeu o monturo e apurou dez conto, logo 0,25 o Kg). É isso mesmo, sou um dependente de papel, acumulo tudo. Não pense que foi fácil jogar fora toda a papelada, em certo sentido, doeu. Mas, havia necessidade de espaço e, como diz o ditado, contra fatos não há argumentos. Sentei-me no chão do quarto e encarei de frente o caos. Separei de duas vezes, na primeira separava o que achava útil do inútil, entretando, logo vinha nova necessidade de passar pente fino no que era útil, pois quase não tinha papéis inúteis, pelo menos não à primeira olhada. Aí, pegava novamente os úteis e os classificava como úteis (ao extremo) e em inúteis (ou quase úteis) e daí, me enchi de coragem e, com um pragmatismo de dar inveja, consegui me desfazer de boa parte de meus alfarrábios. Certo dia li num livro sobre organização que você deve dispor 4 caixas em seu quarto, uma escrita “Jogar fora”, outra “dar”, outra “objetos que estão aqui, mas não são daqui” e uma quarta que não me lembro. Assim fiz, e hoje diria que meu quarto está quase “clean”, digo quase porque ainda tem muito livro e, certamente, muitos papéis.
    Acho que para ser bom médico, método é fundamental, como você, tento desenvolver o “caminho”, é difícil, mas como diria o Hipócrates “a arte é longa e a vida…”
    Flávio Sidou

  • Anônimo

    Ei, Lia, meu quarto tá prontim te esperando – sem malícia – se quiser treinar é só dar um toque! Um xêro no cangote!
    Luiz

  • Anônimo

    A bagunça é apenas uma organização desorganizada. Conheci seu blog através do blog da Sassa e gostei muito. Pode ter certeza que estarei sempre aqui enchendo seus comments. Visite o Contrasenso sempre que puder. Um grande abraço, Orlane
    Contrasenso – http://orlanefalcao.blog.uol.com.br

Leave a Comment